Prova aplicada no dia 16/12/2008, na sala 808 da FACED/UFRGS.
Tema 4 “A ferida trágica: implicações epistemológicas de um uma doutrina do coração”; ponto “34,35: morte”.
DA BOCA
– Uma Prova de Confissão –
Tema 4 “A ferida trágica: implicações epistemológicas de um uma doutrina do coração”; ponto “34,35: morte”.
DA BOCA
– Uma Prova de Confissão –
Como honrar um “portador da boa nova”, um homem que não é mais que o efeito da vida praticada em seu corpo? O que cabe àquele que morre no gosto almiscarado da purulenta mundanidade encarnada no gosto da vida? Como honrar aquele que abandonava-se em alegria e dor?
Preambulares, assim, as questões como aportes reflexivos de um pesado olhar sobre aquele que fez-se ninguém servem para não repetí-lo, não honrá-lo. Aquele que FAZ, ainda e depois de sua morte factual (facticídio operado pela linguagem reflexiva), vive, que se saiba, mesmo no corpo de quem o nega. O portador da boa nova, aquém de qualquer honraria, pratica mais uma vez seu legado irrecusável: sua política afirmativa, viajante como um coração cosmonauta haroldiano, é a potência mais alta, mais tópica: o Cristo nietzschiano é o homem que, quando aquém de si, faz sua vida, escreve-a.
A implicação de tal política viajante, a derrisória pragmática que afasta qualquer espírito desencarnado, qualquer vida não concreta, impossibilita artifícios lingüísticos como os do início deste texto: um questionamento – seja pela via reflexiva, seja pela estereotipia da ficção – incessante pelo legado clerical do grande Sentido – Oh! O Nosso Senhor!
Estaríamos, agora, não mais submetendo-nos a este exercício de desapego ao corpo (esta metatextualidade que cracteriza nossa ciência sem cheiro) se não nos colocássemos “em negação”, negando? Pois sim, não. Negamos Cristo para podermos confessar, neste lugar privilegiado da culpa, a “prova escrita” – provação manuscrita e que, no entanto, nega o cheiro e todo nosso corpo –, toda nossa morte (em vida).
Pergunta-mo-nos se, caso Cristo não estivesse sempre já aqui, se Cristo surgisse factualmente corporificado nessa terra, ária de escrituras áridas, num corpo fatídico de qualquer um de nós, comumente reflexivos no uso de nosso corpo, qual calvário encontraria? Sim, pergunta-mo-nos. Não, responde-mo-nos. Certamente sua fulguração eminente não encontraria o clamor da morte: tal espetáculo biblesco, paulético, a crucificação onde o cessar rítmico da vida encontra a negação peremptória no Cristão que surge, não ganharia mais notoriedade que a morte presentificada em cada intervalo do peito. A morte, no Cristo nietschiano, dispersa toda reflexividade na linguagem viva, qualquer ficcionalização fácil de seu jogo tanatográfico. Somente um corpo que, negando a vida, nega a morte, é capaz de morrer, de encharcar a morte de fraqueza. Vive-se a morte, eis a boa nova, na eternidade repetida de um corpo que diz SIM. O calvário é a prova (eis-la aqui), o templo de uma linguagem cristã: FALE MAIS SOBRE ISSO.
< Faz-se preciso: reproduziremos uma página escrita durante a estadia neste Seminário. A mão ajoelha. A boca confessa.
Preambulares, assim, as questões como aportes reflexivos de um pesado olhar sobre aquele que fez-se ninguém servem para não repetí-lo, não honrá-lo. Aquele que FAZ, ainda e depois de sua morte factual (facticídio operado pela linguagem reflexiva), vive, que se saiba, mesmo no corpo de quem o nega. O portador da boa nova, aquém de qualquer honraria, pratica mais uma vez seu legado irrecusável: sua política afirmativa, viajante como um coração cosmonauta haroldiano, é a potência mais alta, mais tópica: o Cristo nietzschiano é o homem que, quando aquém de si, faz sua vida, escreve-a.
A implicação de tal política viajante, a derrisória pragmática que afasta qualquer espírito desencarnado, qualquer vida não concreta, impossibilita artifícios lingüísticos como os do início deste texto: um questionamento – seja pela via reflexiva, seja pela estereotipia da ficção – incessante pelo legado clerical do grande Sentido – Oh! O Nosso Senhor!
Estaríamos, agora, não mais submetendo-nos a este exercício de desapego ao corpo (esta metatextualidade que cracteriza nossa ciência sem cheiro) se não nos colocássemos “em negação”, negando? Pois sim, não. Negamos Cristo para podermos confessar, neste lugar privilegiado da culpa, a “prova escrita” – provação manuscrita e que, no entanto, nega o cheiro e todo nosso corpo –, toda nossa morte (em vida).
Pergunta-mo-nos se, caso Cristo não estivesse sempre já aqui, se Cristo surgisse factualmente corporificado nessa terra, ária de escrituras áridas, num corpo fatídico de qualquer um de nós, comumente reflexivos no uso de nosso corpo, qual calvário encontraria? Sim, pergunta-mo-nos. Não, responde-mo-nos. Certamente sua fulguração eminente não encontraria o clamor da morte: tal espetáculo biblesco, paulético, a crucificação onde o cessar rítmico da vida encontra a negação peremptória no Cristão que surge, não ganharia mais notoriedade que a morte presentificada em cada intervalo do peito. A morte, no Cristo nietschiano, dispersa toda reflexividade na linguagem viva, qualquer ficcionalização fácil de seu jogo tanatográfico. Somente um corpo que, negando a vida, nega a morte, é capaz de morrer, de encharcar a morte de fraqueza. Vive-se a morte, eis a boa nova, na eternidade repetida de um corpo que diz SIM. O calvário é a prova (eis-la aqui), o templo de uma linguagem cristã: FALE MAIS SOBRE ISSO.
< Faz-se preciso: reproduziremos uma página escrita durante a estadia neste Seminário. A mão ajoelha. A boca confessa.
“Eu neguei Cristo em mim, não importa quantas vezes, pois neguei meu corpo, meu texto, entregando-o às salvadoras chibatadas do Sentido.
Como penitência, agora que me faço digno dela, relato minha negação:
FAÇO. Inerte, com o pesadume de suas peles, ELA, inerte, com o pesadume de suas peles, FALE MAIS SOBRE ISSO.
FICO. Inerte, com o pesar de minhas patas, ESCRIPTOR?, inerte, com o pesar de minhas patas, COMA O QUANTO APLAUDIREM.
FRACO. Parvos, TODOS, parvos, PERFEITO.”
Qual Cristo negamos? Qual Cristo apossou-se de nosso corpo? O que um texto faz? >
Apontamentos da Professora:
I – Boa boca bocejante que muito vazia FEDE.
II – O escritor tem boca ou NERVOS?
III – Toda escritura NEGA cheiros?
Tarefa 1: desdobrar em textos os fragmentos oferecidos pela professora-leitora.
Tarefa 2: digitar prova e desdobramentos.
Desdobramentos:
I – A boca vazia é o ralo do sentido.
II – O escritor cria um corpo voluptuoso.
III – A escritura exala um corpo.
Como penitência, agora que me faço digno dela, relato minha negação:
FAÇO. Inerte, com o pesadume de suas peles, ELA, inerte, com o pesadume de suas peles, FALE MAIS SOBRE ISSO.
FICO. Inerte, com o pesar de minhas patas, ESCRIPTOR?, inerte, com o pesar de minhas patas, COMA O QUANTO APLAUDIREM.
FRACO. Parvos, TODOS, parvos, PERFEITO.”
Qual Cristo negamos? Qual Cristo apossou-se de nosso corpo? O que um texto faz? >
Apontamentos da Professora:
I – Boa boca bocejante que muito vazia FEDE.
II – O escritor tem boca ou NERVOS?
III – Toda escritura NEGA cheiros?
Tarefa 1: desdobrar em textos os fragmentos oferecidos pela professora-leitora.
Tarefa 2: digitar prova e desdobramentos.
Desdobramentos:
I – A boca vazia é o ralo do sentido.
II – O escritor cria um corpo voluptuoso.
III – A escritura exala um corpo.
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